Prefeitos da Comcam são contra retorno das aulas presenciais em meio à pandemia

Alegando riscos à saúde da comunidade escolar e dificuldades econômicas, os prefeitos da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), anunciaram que não vão retomar neste momento as aulas presenciais na rede municipal e estão decididos a manter o ensino remoto enquanto for necessário. O posicionamento foi adotado por unanimidade após discussão sobre o tema entre os gestores.


“O retorno às aulas neste momento colocaria em risco nossos profissionais da educação e nossas crianças. Seria uma grande irresponsabilidade de nossa parte manter as aulas presenciais”, defendeu o presidente da Comcam, Leandro César Oliveira, prefeito de Araruna. Ele defende a volta às aulas somente após todos tomarem a vacina contra o vírus.


O prefeito de Moreira Sales, Rafael Brito do Prado, presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região da Comcam (Ciscomcam), também comentou que ainda são muito elevados os riscos para retomada do ensino presencial. “Se as escolas já estavam fechadas antes, seria totalmente absurdo retomarmos as aulas gradualmente agora, quando o contágio da Covid-19 está em curva ascendente. A saúde de todos é nossa prioridade”, enfatizou. Ele citou ainda a necessidade de as prefeituras respeitaram as recomendações do Ministério da Saúde  e da Secretaria Estadual de Saúde referentes as restrições para proteção à saúde dos grupos de risco.


Ricardo Radomski, prefeito de Mamborê, foi outro que se manifestou contrário ao retorno das atividades escolares no modelo presencial. “Hoje em uma escola grande nossa, a diretora positivou para Covid”, exemplificou. “Além disso, uma moradora do município, que foi para Cascavel na casa dos filhos se contaminou, teve o estado de saúde agravado e morreu ontem [domingo]”, informou. “A volta às aulas é aglomeração de professores, de funcionários e de alunos. E o adolescente é o que mais transmite. O estado tem que rever isso”, justificou, se referindo ao fato do Governo do Estado ter liberado o retorno às aulas na rede estadual a partir do próximo dia 15. Na rede particular, as aulas já poderão voltar a partir desta quarta-feira (10).


Em Engenheiro Beltrão, o prefeito Junior Garbim, já havia anunciado que as aulas, por enquanto serão 100% no modelo remoto no município e que ainda não há nenhuma previsão quanto a uma possível adesão das escolas ao modelo híbrido, que mescla aulas presenciais e remotas. “Por enquanto não tem como ser diferente. Nosso município não está preparado para receber os alunos no formato híbrido, seguindo todos os protocolos exigidos pela Saúde. Além disso, como a vacinação ainda não chegou aos professores, seria muito arriscado”, disse a secretária da cidade, Lilian Mara Bonette Bianchini.


Em Campo Mourão, as aulas presenciais (modelo híbrido) que estavam previstas para iniciar no dia 1º de março foram suspensas. Enquanto isso os alunos da rede municipal estão estudando no modelo remoto. O prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli tomou a decisão para suspensão em conjunto como Comitê de Crise Covid. “Iniciamos as aulas no dia 10 de fevereiro no formato remoto. Estava previsto o retorno do ensino hibrido para o dia 1º de março, porém, por conta da falta de leitos, em consulta a comunidade escolar definimos que este retorno deve ocorrer a partir do dia 15 de março”, falou a secretaria de Educação de Campo Mourão, Tânia Caetano. No entanto, segundo Tezelli, uma reunião ainda nesta segunda-feira com o Comitê de Crise, deverá alterar a data.


Os prefeitos de Iretama, Same Saab e de Farol, Oclécio Meneses, também disseram que não autorizaram o retorno presencial das atividades escolares pelos próximos dias. “O município não vai participar desta aventura de iniciar as aulas”, falou Same. “Seria loucura iniciar as aulas presenciais neste momento em que o contágio está muito forte em toda a região”, resumiu também Oclécio.


Devido o colapso na saúde pública, por conta da pandemia, os prefeitos das cidades da área de abrangência da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), também defendem que a volta das aulas presenciais ocorra somente após primeiro de abril. Antes dessa data, eles consideram haver um risco alto, por causa do cenário crônico, com o aumento acelerado no número de casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus; do sistema de Saúde Pública à beira do colapso, com taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), acima dos 95%; e pela baixa cobertura vacinal no Estado.

 

Fonte: Walter Pereira/Tribuna do Interior