Estudo foi divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Estudo aponta impacto de R$ 260 bilhões aos municípios com avanço de ‘pautas bombas’ no Congresso


Um estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que propostas em tramitação no Congresso Nacional podem gerar impacto de R$ 260 bilhões aos cofres municipais, colocando em risco a sustentabilidade fiscal e a manutenção de serviços públicos essenciais. O levantamento foi apresentado durante a Mobilização Municipalista realizada nesta terça-feira (24), que reuniu mais de mil gestores locais.

De acordo com a CNM, o maior impacto financeiro está relacionado à proposta de aposentadoria especial para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), prevista na PEC 14/2021 e no PLP 185/2024. A medida pode elevar o déficit atuarial dos Municípios em cerca de R$ 103 bilhões, pressionando os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e exigindo a destinação de recursos livres para cobertura previdenciária.

O estudo também aponta preocupação com a criação de pisos salariais e adicionais para categorias como médicos e profissionais da educação básica, que podem gerar impacto anual estimado em R$ 37 bilhões. Somadas, essas medidas tendem a elevar em aproximadamente R$ 50 bilhões as despesas municipais.

Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a ampliação de obrigações sem a indicação de fonte de custeio compromete a autonomia dos Municípios e a execução de políticas públicas.

“Nunca o movimento de pisos salariais nacionais esteve tão frequente no país. O Executivo e o Legislativo ignoram a capacidade financeira dos Entes locais e o princípio da Emenda Constitucional 128, que veda a geração de encargos sem a fonte de custeio. Vemos a cada dia a autonomia municipal ser esvaziada, transformando os Municípios em meros executores de despesas federais e colocando em risco a entrega de saúde, educação, assistência social e infraestrutura ao cidadão na ponta”, afirmou.

Outras propostas analisadas incluem a obrigatoriedade de criação de escolas em áreas rurais, investimentos em segurança escolar e estruturação de instituições de longa permanência e equipes de apoio para alunos com deficiência. Juntas, essas medidas podem representar aumento superior a R$ 80 bilhões nas despesas locais.

O levantamento destaca ainda iniciativas consideradas positivas pelo movimento municipalista, como a PEC 25/2022, que prevê acréscimo de 1,5% ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e a tributação de novas economias, proposta no PL 5473/2025. Caso aprovadas, as medidas podem gerar fôlego financeiro estimado em R$ 49 bilhões, valor que, segundo a entidade, ainda seria insuficiente para compensar os novos gastos projetados.

A CNM defende que o debate sobre as propostas considere o equilíbrio fiscal dos Municípios e a necessidade de garantir a continuidade dos serviços públicos prestados à população. (Com informações da CNM)
 

Fonte: Assessoria Comcam