Os efeitos do El Niño já atingiram 206 municípios brasileiros e provocaram prejuízos estimados em R$ 3,5 bilhões somente entre os dias 1º e 24 de julho. Os dados são da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base nas informações registradas pelas prefeituras no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
O valor representa aumento de 53,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, foram registrados 240 decretos de situação de emergência em 13 estados, em razão de temporais, inundações, enchentes, secas, estiagens e incêndios florestais.
Mais de 537 mil pessoas foram afetadas. Dos R$ 3,5 bilhões contabilizados em perdas, cerca de R$ 3,4 bilhões correspondem a prejuízos no setor privado. A seca e a estiagem concentram mais de 86% do total das perdas, com maior impacto no Nordeste. O fenômeno agravou a falta de chuva em 53 municípios da região e atingiu mais de 30,8 mil pessoas. Apenas Sergipe e Maranhão não registraram situação de anormalidade no período analisado.
Temporais no Sul
Na Região Sul, as chuvas intensas provocaram alagamentos, inundações e deslizamentos. Ao todo, 69 municípios do Rio Grande do Sul e 53 de Santa Catarina registraram impactos econômicos e sociais. Os prejuízos ultrapassaram R$ 104,6 milhões no território gaúcho e chegaram a R$ 23,3 milhões em Santa Catarina.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também apontou risco elevado de continuidade das inundações em bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul, incluindo as dos rios Taquari, Caí, Jacuí, Gravataí e dos Sinos. O cenário é resultado do deslocamento das cheias provocadas pelas chuvas acumuladas, com possibilidade de atingir áreas localizadas abaixo do curso dos rios e a Região Metropolitana de Porto Alegre.
Incêndios e
baixa umidade
No Sudeste, 24 municípios decretaram situação de emergência por incêndios florestais, secas, estiagens, vendavais e chuvas intensas. No Espírito Santo, seis cidades foram afetadas. No Rio de Janeiro, houve registros em quatro municípios. Em Minas Gerais, 14 municípios relataram prejuízos, sendo 12 atingidos por seca ou estiagem e dois por temporais e vendavais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu alertas para tempestades em municípios mineiros e para a baixa umidade do ar em áreas do Centro-Oeste, Tocantins e norte de Minas Gerais.
Municípios são orientados
a reforçar prevenção
A CNM alerta que novos eventos relacionados ao El Niño podem agravar o cenário e recomenda que as prefeituras reforcem as medidas de prevenção e resposta.
Entre as orientações estão a atualização dos planos de contingência, o mapeamento das áreas de risco, a organização de abrigos provisórios, a definição de rotas de evacuação e o fortalecimento dos canais de comunicação com a população. A entidade também publicou a Nota Técnica nº 12/2026, com orientações para que os municípios se preparem para os possíveis efeitos do El Niño durante o período de 2026 e 2027.